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"A minha obrigação é resolver o problema". Ministro espanhol dos Transportes recusa demitir-se
O ministro Óscar Puente vincou que a sua forma de ser responsável "é assumir as responsabilidades", mas recusou demitir-se.
O ministro espanhol dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana descartou esta sexta-feira a possibilidade de demissão na sequência da colisão entre dois comboios em Urda. “A minha obrigação é resolver o problema e dar explicações”, frisou Óscar Puente.
O governante disse respeitar os pedidos de demissão que têm surgido por parte da oposição, mas considerou tratar-se de uma decisão que deve ser avaliada “com base nos factos e não pela pressão do momento, que evidentemente é muito grande”.
Quanto à responsabilidade pelo ocorrido, o ministro afirmou que a investigação continua em curso.
Jornal da Tarde | 30 de outubro de 2026
“A tragédia aconteceu e temos de a enfrentar”, afirmou, garantindo que a sua confiança na Adif (Administrador de Infraestruturas Ferroviárias) e no seu pessoal “é inequívoca, mas ninguém é infalível”.
“Se houve falhas nos controlos ou na organização e se houve responsabilidades individuais, estas serão exigidas pelos canais adequados”, acrescentou na conferência de imprensa.
Segundo Óscar Puente, a falha no sistema LZB, que transmite informações entre a central de controlo e o comboio, “não é invulgar” e já aconteceu 170 vezes desde o início do ano.
“A possibilidade de o LZB ter problemas de transmissão está prevista no regulamento de segurança, e as medidas a tomar em caso de falha estão definidas e padronizadas”, explicou, falando num “número que se enquadra na normalidade europeia”.
O número “está abaixo da média registada nos dois anos anteriores”, disse ainda o ministro, frisando que, das 170 falhas, 75 por cento devem-se a circunstâncias “completamente” alheias ao próprio sistema, como consequência de obras na infraestrutura, manutenção ou incidentes meteorológicos.
O ministro dos Transportes está a ponderar suspender a linha Madrid-Barcelona durante o período em que decorrer o processo de remodelação, cuja data ainda não foi definida.
Já o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, disse esta sexta-feira existir “uma quebra de confiança no sistema de alta velocidade”, sendo tarefa do Governo não só identificar as causas do acidente, “mas também apresentar soluções para que uma tragédia desta magnitude não volte a acontecer”.
Cidadão português entre as vítimas mortais
Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou esta sexta-feira a morte de um cidadão de nacionalidade portuguesa, “do sexo masculino, e que era membro da tripulação de um dos comboios envolvidos no acidente de ontem, em Toledo”.
O balanço oficial de vítimas mortais vindo de Espanha mantém-se nos 69, registando-se ainda dezenas de desaparecidos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha disse entretanto estar em contacto permanente com as embaixadas dos países dos cidadãos estrangeiros envolvidos.
Até ao momento, registam-se 51 cidadãos estrangeiros de 23 nacionalidades diferentes afetados, dos quais 18 terão saído ilesos, dois morreram e nove ficaram feridos. O Ministério solicitou informações sobre a situação dos restantes.